Eremitas de todo o mundo, uni-vos!

Um disco da minha juventude: “Poetas Andaluces de ahora” do grupo aguaviva: uma mistura de música, poesia e discurso em primeira voz de alguns poetas da Andaluzia. Um deles dizia de si mesmo que era algo “entre gitano y conventual”. Sempre gostei desta frase e adotei-a esparsamente como um dos lemas sobre mim próprio. Gosto de brincar, de dar boas gargalhadas, de ser ligeiramente pouco apropriado para a minha idade. Mas também gosto e preciso muito de “recuar”, de estar no meu próprio espaço e mundo para ler, escrever, meditar, escutar música. A vida monástica sempre me entusiasmou, não tanto na inevitável dureza que uma tal opção exige, mas na imagem idealizada que prefiro ter quando entro num mosteiro ou vejo documentários sobre a esse tema.

Por essa razão, estou a gostar especialmente do livro: “The book of Hermits: a history of hermits from antiquity to the present” cujo autor é Robert Rodriguez. Nunca vi um livro tão profundo e abrangente sobre a figura do eremita. São mais de cinquenta página de bibliografia! O livro está dividido nas seguintes partes: 1 – O Mundo ocidental: Antiguidade e Idade Média; 2 – O Mundo Oriental: da Antiguidade ao presente; 3 – O Mundo Ocidental Moderno: do Renascimento ao Romantismo; 4 – O Mundo Moderno Ocidental: o século XIX. Como se pode intuir, este é um empreendimento gigantesco e muito bem documentado.

Um aspeto muito interessante do livro é que o autor alarga o conceito de Eremita a todos aqueles que no passado procuraram, de alguma forma, isolar-se por razões muito diferentes da vida em sociedade em ordem a prosseguirem uma caminhada solitária e criativa. Aqui entram escritores e poetas, filósofos, pensadores… É engraçado ler sobe autores que conhecia, melhor ou pior, e que aqui são apresentados especificamente na forma como lidaram com a proximidade ou distância relativamente à sociedade.

Assim sendo, que nenhum eremita contemporâneo se sinta uma “ave rara” por se achar distante ou com reservas na sua relação com a “sociedade” ou a “multidão”. Sinta-se, antes, parte do longo cortejo daqueles e aquelas que, ainda que não eremitas por opção existencial, o são na sua alma.

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