O que a vida me ensinou (I)

A vida ensinou-me que tudo passa. Apesar da minha mente tratar cada micro acontecimento de forma amplificada, fazendo-me crer que ele durará para sempre, quando olho para trás, consigo perceber como tudo passou: foi extremamente importante, depois importante, depois mais distante e, por fim, quase esquecido. Não há qualquer acontecimento, por mais significativo, maravilhoso ou profundamente doloroso que seja, o qual tenha resistido à passagem e à erosão do tempo. Tenho aprendido como a mente se esforça por me enganar a este respeito: se pudesse olhar de cima para a forma como reajo e reagi no passado aos pequenos e grandes problemas da minha vida, falta e faltou sempre a capacidade de ver em perspetiva aquilo que me está a suceder. Luto com esse problema como se ele fosse permanente, sem me aperceber que também ele “irá à sua vida”. Tenho aprendido a não me envolver emocionalmente para além daquilo que é necessário. Se quiser alargar este raciocínio e pensar na dimensão dos meus problemas à luz da vida futura, então ficam definitivamente reduzidos a pó. Porque será tão difícil ter uma visão mais distante, proporcionada e relativizada daquilo que me sucede? Será que é pelo facto de estar demasiadamente embrulhado nos acontecimentos de cada dia? Ou, talvez, por me faltar a noção de perspetiva que só a idade ou a sabedoria podem trazer? Vivo com o céu sobre a minha cabeça, a beleza da sua cor azul, o brilho das estrelas. Olhar ou contemplar a sua grandeza poderia ser uma metáfora e um motor de compreensão e vivência da minha vida?

Com certeza que há pessoas que conseguem ver a vida em perspetiva, em escala, em proporção. Podemos perguntar qual a métrica para relativizar os acontecimentos: “vai passar”, é uma; “que importância é que isto tem?”, será outra.

Existe habitualmente, na minha vida o movimento inconsciente, mas real de desenvolver como centro de interesse primário a chamada “espuma dos dias”, os pequenos nadas quotidianos. É verdade que é no dia-a-dia que se joga a nossa vida e é neles que encontro sabor e alegria e sentido. O problema é a elevação do micro à categoria do todo. Isto é: creio que a sabedoria passa por colocar tudo em perspetiva e essa mudança ocorre quando o olhar da alma se modifica. Uma amiga de tempos idos dizia que “é preciso subir ao campanário” para ver a partir dali.

E quanto essa subida, cada uma encontrará na sua vida a forma de o fazer.

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