Espaço AbraçAr-te

A pedido do meu amigo António José Rocha, escrevi este texto. O Tó Zé desenvolve o projeto AbraçAr-te: uma casa aberta às artes, aberta a todos. Aqui deixo os links deste projeto maravilhoso:

https://www.instagram.com/espaco.abracar_te/
https://www.facebook.com/espacoabracarte

Uma explosão de alegria

1 – Acolhimento

Falavas das tuas viagens, de quando correste mundos, visitando terras e gentes. Durante horas e dias escutei-te pacientemente, lentamente, fraternalmente. Tinhas o coração em desalinho, os pensamentos desencontrados, a alma cansada. Conhecia bem a tua dor, o teu tormento. Dizias-me: o mundo é um lugar estranho. E falavas ininterruptamente, como se a palavra proferida fosse tão só a cura para a tua noite cerrada.

Mas eu estava além da palavra. O meu silêncio, os meus olhos, as minhas mãos, todas elas eram acolhimento. Falei-te do porto de abrigo: a casa dos alicerces, o lar dos ventos, da luz suave, das folhas serenas. Lentamente, a minha mão, os meus olhos – sem que eu mesmo o suspeitasse – desceram sobre a tua alma extenuada. Aí, começaste o caminho do regresso: da casa em chamas, do terreno por lavrar, partiste como se ouvisses ao longe as harmonias delicadas chamando.

Seria aí que algo impercetível te abraçava e te acolhia sem condições ou perguntas?

2 – Arte

E dançavas! Livre, as tuas mãos, os teus olhos, os teus pés seguiam a voz. Palavra, matéria, silêncio, som, gesto, cor, música: tudo eram vibrações que circulavam pelo teu ser sem fronteiras.

Outros foram chegando (ou já te esperavam, não sei): a tua vida era agora música alada, as manhãs luminosas da casa entravam, circulavam, azulavam a tua mente, os teus olhos, o teu corpo.

De todos os lados, ei-los que vinham chegando, os amigos de ontem e de sempre: consigo traziam os dons, os unguentos da cura da alma, os sons do futuro, os gestos do mundo a vir, os objetos da partilha e das artes.

E a casa era o mundo: as mãos e os gestos multiplicavam-se, o riso ecoava incansavelmente. Por todos os cantos, ali e aqui multiplicava-se a vida, a superabundância do alento e do amor. E não paravam de chegar, os amigos, os desconhecidos, os corações que vinham para ser curados e consolar.

3 – Abraço

Ere este, afinal, o caminho do regresso: da solidão à companhia, da palavra ao silêncio, do choro ao riso, do passado ao futuro, do muro à praça, do medo à confiança, da morte à vida. Era esta a explosão da alegria: a multiplicação dos dons, o excesso do amor, a partilha delicada dos saberes, dos ofícios, das artes.

Estendeste a mão e os últimos de todos entraram: a casa está repleta, o abraço circular é dado e recebido!

E dissemos: daqui em diante, todo o futuro é possível!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s