Adeus férias!

As férias estão a chegar ao fim. Em breve retomarei o trabalho, com o seu ritmo, o seu desgaste, mas também gratificação. Ocupa um lugar importante na minha vida, pela sua duração física, mas também pelo espaço emocional e interior: ter no centro do trabalho pessoas, a maior parte em formação, não pode deixar de me envolver em profundidade.
Recordo-me há muitos anos como queria “agarrar” o mês de Agosto; como me sentia tranquilo e seguro nos primeiros dias – um mês parecia uma eternidade! A pouco e pouco o tempo ia avançando e os dias escapando entre os dedos. Lá chegava o final do mês e o trabalho a chamar.
Nos tempos mais recentes, a forma de encarar e viver as férias mudou significativamente. Não fiz nenhum propósito particular, não houve nenhuma frase inspiradora ou livro arrebatador.
Quando chegam as férias vou vivendo cada dia, sem querer dominar o tempo. Não faço grandes contas aos dias que passaram ou aos que faltam ainda decorrer. É claro para mim que tudo passa nesta vida. É insensatez querer agarrar o que quer que seja. Naturalmente que o tempo de descanso e despreocupação (mas como temos sequer a certeza de que as férias serão despreocupadas?) me agrada, mas sei que as férias são boas porque trabalho.
Para além disso, faça o que fizer, vá para onde for durante o mês, é para mim absolutamente claro que é um mês de privilégio: tive tempo de descanso, pude fazer aquilo que queria, tive a família e amigos bem e em segurança. Penso nas pessoas que não podem ter férias, nas que têm, mas não podem sair do sítio onde vivem, naquelas que escolheram o que queriam, mas a quem algum percalço, problema ou mesmo drama tudo roubou num instante.
O tempo de férias é também altura para pensar no que passou e fazer propósitos de mudança ou crescimento. Para mim, é continuar a cuidar e regar uma das minhas frases preferidas: “hold on to the center”: definir o que é importante, melhor, decisivo na minha vida e lutar com unhas e dentes por isso. É um combate e, sem esse combate, a entropia se encarregará de levar este pedaço de madeira para terra de ninguém.

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