Ingmar Bergman

Vi, na RTP2, um documentário sobre a vida e a obra do realizador sueco Ingmar Bergman. Confirmei aquilo que vou notando quando leio ou vejo biografias de artistas: são vidas atormentadas. Bergman foi uma pessoa desassossegada: achava sempre que o seu trabalho não estava à altura daquilo que ele considerava o correto. Na fase mais tardia da sua vida, quando lhe surge um problema que não recordo agora qual, escreveu numa carta que estava a ser obrigado a sair da “redoma” da infância, contra a sua vontade. Mais estranho ainda foi a entrevista feita ao filho. Afirma que não tem quaisquer saudades do pai ou da mãe. Percebi, no decurso dessa entrevista, que os filhos se sentiam preteridos face aos atores dos filmes do pai. Que estranho! Será que para os artistas deveremos aceitar um código moral ou ético diferente do “comum dos mortais”, simplesmente porque são um génio? Terão, por isso, direito a maltratar os outros, a negligenciar cuidados parentais ou familiares, a professar doutrinas políticas nefastas ou totalitárias? E esse viver é condição sem a qual não conseguirão produzir arte?


Se me disserem que muitos deles se rebelaram contra a sociedade burguesa ou que esta mesma sociedade se voltou contra eles por estarem à frente do seu tempo – isso eu entendo. E aceito. Contudo, a partir do momento em que os comportamentos atingem e maltratam pessoas à sua volta, aí não consigo aceitar. As sociedades têm e aceitam mecanismos de escape para pessoas que querem viver de forma diferente, retirando-se do “comércio do mundo”. Quando, no outro dia, lia um artigo sobre a vida de Jean Austen, encontrei (surpreendentemente) uma vida, que se poderia chamar, banal e convencional. E, ainda assim, foi a escritora que foi.
Uma coisa é certa e ela aplica-se a artistas e pessoas comuns: há pessoas que não cabem nos moldes propostos pela sociedade. Pessoas inadaptadas e que não transigem na sua forma de ver o mundo. O excesso de conformidade à norma vigente acabará por matar alguma coisa na alma dessa pessoa.


No entanto, a “regra de ouro” deve ter validade universal.

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