Pablo D’Ors

Pablo D’Ors é um escritor, padre e contemplativo espanhol. Tem vários livros publicados, entre eles, em português, a “Biografia do Silêncio”.
Ouvi recentemente, uma charla (partilho o link no final deste texto) em formato de perguntas e respostas com esta pessoa singular. Gostava de partilhar algumas das ideias do que foi apresentando.
O autor apresenta como uma ideia central do seu pensamento sobre o cristianismo a metáfora, já antiga, do deserto. Afirma que o deserto é aquilo que “separa a escravidão da plenitude”. Interessante e forte esta frase. Sem a experiência do deserto, que é como quem diz, a experiência do silêncio profundo e aturado, vivemos presos às dimensões mais frágeis, sombrias e disfuncionais do nosso ser. Aproximarmo-nos da plenitude, de Deus, da vida cheia e feliz supõe este trabalho de ir ao deserto. E lá apenas temos de deixar que alguém faça o seu trabalho em nós. Pablo D’Ors defende um cristianismo em primeiro lugar em chave estética e só depois em chave ética e moral. Afirma que a nossa vida cristã está sobre saturada de imperativos morais. A graça vem antes da moral. A modernidade “inquinou” a vida cristã de excesso de racionalismo e do sentido moral. A mente tem sido historicamente hipervalorizada. Sugestivamente, afirma que devemos ler a Sagrada Escritura sem intelectualizar demasiado, mas como quem vai ao campo em passeio. Já o poeta Daniel Faria dizia “Passeio nos amenos bosques da Escritura”.
Acrescenta, também, de forma taxativa que o cristianismo deve renovar-se pela dimensão espiritual, que é como quem diz pela experiência do silêncio e do encontro com Deus através desse silêncio. É uma intuição que também tenho e na qual acredito profundamente. Tudo o mais, para mim é cosmética e mascarar a indigência da vida interior de pessoas, clero, leigos, instituições e mediações eclesiais. Pablo D’Ors usa uma expressão bonita: o “cristianismo do silêncio”. É dessa experiência, digo eu, que podem surgir pessoas transformadas, queimadas, cauterizadas, que falam a partir do fogo e não da cátedra. É isso que peço hoje e sempre ao Espírito de Cristo Ressuscitado: um vento de renovação.

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