Bob Dylan e o bispo

Apenas conheço um punhado de músicas de Bob Dylan. Com pena minha. Hei-de dedicar-me a este cantor, poeta e homem do espírito, com a atenção e mérito que merece. Dylan fez recentemente oitenta anos. É uma longa carreira dedicada à música e à poesia.
Robert Barron é bispo auxiliar de Los Angeles. Dentro da estrutura hierárquica da Igreja dos Estados Unidos, será o bispo mais bem preparado para a tarefa da nova evangelização, nomeadamente o difícil e exigente diálogo entre fé e cultura. Barron tem um canal no Youtube com milhões de seguidores, produz podcasts onde defende e afirma a fé cristã. Paralelamente, lançou um projeto “Word no Fire”, que é hoje um Instituto de aprofundamento da fé, procurando dar aos seus membros formação aprofundada, capacitando-os para “dar razões da sua fé” na bela expressão da carta de S. Pedro. Já esteve a pregar no “quartel-general” da Google, Facebook e Amazon. Uma e outra vez pensei na falta que fazem pessoas deste calibre para “desacantonar” a Igreja e trazer a lume, sem complexos, a profundidade e riqueza do nosso património intelectual, a “fides quarens intelectum” – a fé e a razão como as duas asas do ser humano. Apesar de considerar que Robert Barron arrisca pouco ou nada fora de uma visão conservadora da fé, louvo o arrojo e profundidade das suas reflexões sobre as séries, o cinema, os livros, a música, os pensadores contemporâneos.
Vêm estas considerações a propósito do seguinte: um dos ídolos do bispo auxiliar de Los Angeles é precisamente o cantor Bob Dylan. Já acompanho as publicações daquele há muitos anos e por diversas vezes se referiu ao cantor norte-americano. Este facto, já é para mim digno de registo. Olho para os nossos pastores (se bem que muito à distância) e pergunto-me o que sabem eles da cultura contemporânea… Que diálogo conseguem estabelecer com as pessoas de hoje se não sabem ondem elas moram? Conseguirão eles discernir e valorizar as “sementes do verbo” presentes na nossa cultura?
Quando vejo os vídeos de Barron, aprecio a ausência de “afetação eclesiástica”, a forma descomplexada, simples e direta como comunica, como é interpelado, como fala de si próprio e se põe em questão. Está a anos-luz da nossa realidade.
A expressão máxima do que acabo de dizer, encontrei-a num vídeo que deixo a seguir a estas linhas: não é que, R. Barron, fez um tributo ao seu ídolo, não com uma conferência, mas cantando uma das canções de Dylan, tocando guitarra e harmónica? Uau! Fiquei comovido com o desassombro, a coragem, a alegria e a liberdade do gesto. Fiquei triste por ver como a nossa “paisagem religiosa institucional” é ainda tão pobre e fechada. Vem, Espírito Santo!

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