A voz aos amigos (XI)

De ontem para hoje mudamos, mas no essencial permanecemos e, isso, é o que importa! E fico a pensar, isto faz sentido em mim!
Antes nunca me questionava e, ainda assim, tudo fazia sentido para mim! Hoje, por uma questão de consciência e fidelidade ao meu sentir, questiono muito mais, não para contrariar, até porque este questionamento não é premeditado, procurado, acontece espontaneamente e de forma que até eu mesmo fico surpreso. Talvez seja uma tentativa de situar a minha essência e encontrar a raiz de mim, a minha resposta diante das coisas e o sentido das mesmas em mim. É incrível esta descoberta livre de poder olhar de outra forma o que recebemos, por vezes, de forma tão absoluta e que o absoluto por ti descoberto apesar de percecionado, entendido e vivido de forma diferente, agora, não te altera nem se altera. É como que uma identificação, tu e o Absoluto! Tu não és o Absoluto, porque reconheces as tuas limitações, mas és parte dele, mesmo com essas limitações.
Às vezes é uma questão de linguagem, é certo, de escolha das palavras e talvez, por isso, seja importante questionar para que possamos encontrar a linguagem, as palavras certas que melhor tocam o nosso coração. Por exemplo, exercícios de questionamento que me surgiram espontaneamente:


Exercício 1
Estamos na Semana Santa, pergunto-me o porquê deste nome? A primeira resposta que me vem é de que: – É Semana Santa porque os cristãos celebram os últimos momentos da vida de Jesus, a sua paixão, morte e ressurreição. Pergunto depois, mas e então não houve santidade em toda a vida de Jesus? Respondo: – certamente que sim, porventura ainda mais que durante estes últimos relatos da sua vida, que são a dura consequência dessa santidade, de uma escolha, a maior, mais bela e certamente a mais difícil, O Amor! Aquilo que Deus É! A escolha de Jesus, independentemente do modo como quem olha para Ele é Deus, O Amor! Não sofrer e morrer numa cruz! E fico a pensar, isto sim, faz sentido em mim.

Exercício 2
Quinta-Feira Santa há a celebração do “Lava-Pés” e pergunto: – porque não, celebração da Humildade!? Celebrar a humildade, que nome tão bonito para uma celebração, talvez nos despertasse mais! Gosto de me concentrar no que se passaria no coração de Jesus neste gesto. Na minha despretensiosa perspetiva, mais do que um ensinamento para aqueles que o seguem, este gesto é um retrato daquilo que Jesus é, lhe vai na alma, e que ele acreditava ser a atitude mais acertada no que toca à relação entre as pessoas. Lavar os pés!? Quanta sobranceria, superioridade, orgulho, preconceito, ambição, humilhação e exploração não veriam a luz do dia se fossemos capazes dele, a quem quer que fosse! Em contrapartida, quanta mais alegria, justiça, simplicidade, esperança, confiança, felicidade amanheceria os nossos dias. E fico a pensar, isto sim, faz sentido em mim.


Exercício 3
Sexta Feira, Santa Adoração da Cruz! E se fosse celebração do Amor!? Não de um amor qualquer, tão somente, aquele que por amar de forma radical pode acabar numa cruz ou em qualquer outro instrumento de tortura. Talvez percebêssemos que a escolha de Jesus foi o amor e não a cruz. Que não é o sofrimento ou o sacrifício que nos salva, mas a qualidade do nosso amor. E fico a pensar, isto sim, faz sentido em mim.

António José Rocha

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