Jordan B. Peterson

Jordan B. Peterson é um psicólogo canadiano. De há cerca de cinco a esta parte, tornou-se uma figura mediática mundial. Se pesquisarem a sua conta no Youtube verão que tem milhões de seguidores e os vídeos milhões de visualizações. Teve sucesso planetário com o livro “Doze regras para a vida – um antídoto para o caos”, o qual vendeu milhões de cópias. Ao mesmo tempo tornou-se um pop star planetária, participando em debates, conferências, aulas e programas de televisão. Jordan Peterson tornou-se, para quem acompanha os debates culturais da atualidade, um “cultural warrior” que combate o pensamento politicamente correto, a “woke culture”, a “cancel culture”, trazendo uma leitura moderada, mas ao mesmo tempo aguerrida de que poderíamos chamar “senso comum”. Desenvolveu também uma leitura da Bíblia e da pessoa de Cristo a partir da Psicologia de Carl Jung (essas “aulas” estão também no Youtube).
Já o leio e ouço há cerca de três anos. Vi auditórios cheios de gente, li muitos comentários de pessoas que agradecem a sua visão inspiradora que as tem ajudado a encontrar ou recuperar um sentido e direção para as suas vidas.
Há cerca de um ano teve um problema com benzodiazepinas que quase o levou à morte. Foi mal acompanhado clinicamente e atravessou o inferno a pés nus. Há alguns meses fez o seu regresso e, no meio de todo o seu sofrimento, ainda escreveu um novo livro, que foi publicado por estes dias e já anda pelos top 10 das tabelas. A verdade é que Jordan B. Peterson regressou muito marcado pelo sofrimento.
Continuo a ouvir os seus podcasts em que convida pessoas para conversar sobre as sociedades contemporâneas, religião, psicologia, política. Esta manhã, enquanto me dirigia para uma superfície do ramo do retalho alimentar, ia a ouvir o mais recente episódio do professor canadiano. Ao longo da conversa, vai partilhando apontamentos pessoais, como as suas rotinas, o facto de apenas se tornar “funcional” a partir da tarde, como sofre diariamente com a sua condição. Relatou como, no meio da sua doença, a sua mulher – Tammy – sofreu uma doença e foi dada como irrecuperável e como, espantosamente, regressou da doença e se curou. Não foi a primeira vez que o vi ou ouvi desde o seu “comeback” e que Jordan se comove e as lágrimas lhe aparecem nos olhos.
E era aqui que queria chegar e, com isso terminar este texto: uma figura planetária, mediática com muito sucesso e que partilha a sua vulnerabilidade, a sua história, a sua dependência de benzodiazepinas, o inferno dos tratamentos, o estado catatónico de que padeceu, a quase morte da sua mulher. Eis um homem. De pé, diante de todos, coração aberto e lágrimas a rolarem pela cara.
Ao mesmo tempo, pensei na demência coletiva em que andamos metidos, a gritar ao mundo que estamos aqui e queremos ser amados, “olhem, estou aqui!”, “és linda, babe”. Este delírio pateta faz o seu caminho, enquanto no “deep down” coletivo e individual sofremos as feridas da infância, lidamos connosco mesmos, sem remissão, todos os dias, cuidamos dos outros, tentamos processar o sofrimento absurdo que nos entra por todos os lados às golfadas.
Um brinde a Jordan B. Peterson e a todos os que, como o Cristo ensanguentado diante da populaça sedenta e ressentida, desmascaram o carnaval permanente em que nos meteram. Que haja ainda quem nos segure o fio de Ariadne para fora do labirinto.

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